sábado, 16 de junho de 2012

A música era sua paixão

A um tempo, venho querendo escrever algo sobre esta história verídica, que virou um livro e posteriormente um filme. A história se passa entre os anos de 1939 a 1945, durante a II Guerra Mundial. Ela se passa em Varsóvia, capital da Polônia, iniciando-se no momento de sua invasão pelos alemães. Há medida que a história vai passando, o protagonista, Wladislaw Szpilman narra cada atrocidade e dificuldade pela qual ele passou.
Mas primeiro, deixa eu contar um pouco sobre quem é o Wladislaw. Bem, ele era um pianista, que trabalhava na Polskie Radio, era judeu e estava tocando o "Noturno em dó menos" de Chopin no momento exato das bombas nazistas sendo jogadas na cidade. Foi um sobrevivente do Gueto de Varsóvia, que logo irei comentar e lutou contra a fome e frio durante meses, em uma desesperada tentativa de sobrevivência.
O livro, assim como o filme, mostra as humilhações pelas quais os judeus tiveram que passar, como seus bens sendo fiscalizados, sendo que teriam que ter uma quantia máxima de slotz (a moeda deles). Além disso, teriam que usar faixas brancas no braço, com uma estrela de Davi azul, medindo 8cm de ponta a ponta. Ora, que é isso?? Eles estavam agora sendo rotulados. Até onde foi parar a humanidade e sua sensibilidade? A vergonha era tamanha, que eles preferiram ficar em casa, sem trabalhar, saindo de seu refúgio da vergonha apenas quando fosse realmente necessário, como comprar comida. No filme ainda foi mostrado uma cena que não havia no livro, como a do pai idoso do protagonista, que foi forçado por um alemão a andar na sarjeta, que, segundo o "vilão", era o lugar dele.
Vendo cada cena dessa, vejo que realmente a humanidade não tem como ser salva. Não merece perdão pelos seus atos. É ridículo ter que dizer que faço parte dessa espécie, como um semelhante meu pode fazer atos tão maldosos e preconceituosos. E olha que hoje em dia, aquele que dizia que era seu amigo faz coisas até piores que os piores nazistas.
Após um tempo vivendo assim, os judeus foram obrigados a viverem num Gueto, que logo ficou conhecido como o maior Gueto da Polônia. Só para explicar, os guetos eram lugares em que os nazistas concentravam os judeus, para não se misturarem com os arianos. Lá, as condições eram piores que os nossos mais piores pesadelos. Ironicamente, a maioria da população do gueto morreu de fome, enquanto outros enriqueciam com contrabando e certo monopólio de produtos.
A sem vergonhice era tamanha, que tocando piano para essa corja em um café, Wladislaw foi obrigado a parar de tocar, só para que um ricaço podia jogar suas moedas na mesa e poder ouvir o som que elas faziam ao bater contra a superfície. Por favor né meu povo, cadê a humanidade e a solidariedade para outros que estavam suplicando algumas gotas de água, ou uns grãos de arroz, ou migalhas de pão.
Pois bem, não comentarei mais a história, deixarei que vocês assistam ao filme. Entretanto, o filme, assim como o livro, é cheio de momentos tocantes. Como o de um homem que não era judeu, mas vivia no gueto, com a intenção de ajudar as crianças mais pobres e realmente ele o conseguiu, criando-as em um orfanato. Porém, no momento em que a população do gueto ia ser evacuada e ele ia ser poupado, mas decidiu ir junto de suas crianças, por livre e espontânea vontade. O trecho do livro nessa parte é assim:

"Ele teve muita dificuldade em convencer os alemães de que desejava acompanhar-las de livre e espontânea vontade. havia passado vários anos da sua vida com elas e, agora que estavam embarcadas para o seu destino final, não queria deixa-las sozinhas.queria tornar essa viagem mais fácil para elas. explicou aos órfãos que deveriam estar  contentes, pois estavam sendo levados para uma fazenda. finalmente eles iriam trocar aqueles muros tenebrosos e fedorentos opor campos cobertos de flores, por fontes de de água pura onde poderiam banhar-se, por florestas cheias de frutas silvestres e de cogumelos. mandou que se vestissem como para uma festa, e eles, cuidadosamente vestidos e radiantes, colocaram-se, em pares, no pátio do orfanato. 
A pequena coluna era comandada por um homem da SS que, como todo alemão, amava as crianças- principalmente aquelas que iria despachar para o outro mundo. Gostou sobretudo de um menino de uns 12 anos – um violinista com seu violino debaixo do braço. Colocou-o na frente da coluna e mandou-o tocar.
Quando dei com eles na rua Gesia, as crianças, sorridentes, cantavam em coro, acompanhadas pelo pequeno violinista, enquanto Korczak carregava nos braços os dois mais jovens, também risinhos, e contava-lhes algo muito engraçado. 
Estou convencido de que, já dentro da câmara letal, quando o gás sufocava as traquéias e o medo tomava o lugar da alegria e da esperança no coração dos órfãos, o Velho Doutor lhes sussurrava, com as suas últimas forças: 
- Isto não é nada, meus filhos! Isto não é nada… – desejando poupar seus pequenos protegidos do medo da passagem da vida para a morte."

Bem tocante né? Infelizmente, o que mais me chocou é que mesmo é que é uma história VERÍDICA. Cara, que crueldade. Mas é com lágrimas nos olhos, que digo, ou melhor, escrevo que mesmo diante de tanta crueldade, a humanidade merece ser punida, mas não devem ser esquecidos, aqueles que mostraram compaixão, que deixaram o preconceito de lado e decidiram ajudar. Sejam pobres crianças ou não. O próprio autor não sobreviveria se não fosse pela ajuda de amigos arianos. Mas cara, a situação ali estava tão crítica que até os próprios judeus se entregavam, estava tudo um caos.
Ao ler, me encontrei com o personagem. Se fosse eu, não seria o que aconteceria comigo, principalmente ao me salvar e ver minha família indo para a morte. Não consigo imaginar minha família morrer. Não consigo ver tanta gente infeliz, que logo desabo. Estou já tão acostumado com dormir sossegado, de barriga cheia. Não consigo pensar que isso ocorreu e que podia ter sido comigo.
Ler sobre o Holocausto me faz pensar muito sobre a natureza humana, sobre a essência do nosso espirito e sobre a importancia das decisões e ações que tomamos. Não é apenas sobre ver a postura cruel e desumana que alguns adotaram, mas também sobre as pessoas que arriscaram suas vidas para ajudar ou simplesmente confortar outras, é sobre pensar a respeito do que os seres humanos são capazes, para o bem e para o mal. Talvez não seja o tipo de leitura que agrade a todos os públicos, mas acho que é, ainda assim, recomendável para todos.
E assim encerro o texto, dizendo que mesmo diante de nossos problemas, tem gente que passou por piores, e que atualmente, tem gente passando ainda por tais problemas. Mas voltando pro contexto da história, gostaria que todos pudessem procurar pelo menos o filme e se emocionar com a história e perceber que não é só você que tem problemas.
Wladislaw Szpilman morreu em julho de 2000, com quase 89 anos.






Na barra ao lado, deixei uma cena do filme, em que ele toca no piano.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um fato óbvio

Boa noite, ouvindo uma música de uma das minhas cantoras preferidas, fico pensando no que aconteceria se o amor fosse entre duas pessoas fosse proibido. Se fosse considerado como um crime maior que um assassinato, seja qual for, ou pior, considerado uma doença, apenas um distúrbio mental. Enquanto mais penso nisso, tento em convencer de a comunidade global não está caminhando para isso, de que as pessoas realmente se amam. Entretanto, estou enganado. É verdade que há pessoas que realmente se amam e que lutam por esse amor, mas há também pessoas que tentam destruir uma relação, esse sentimento. E é aí que tento chegar.
Há muita gente que diz que "ama" uma pessoa, que faria qualquer coisa para tê-la de volta. E realmente o fazem. Cometem loucuras; chegam a machucar, não só aos que estão à sua volta, mas a si mesmo. Um dos grandes males que assolam o mundo é a depressão, seja ela por carência, por morte de algum ente querido ou por amor. O amor é um sentimento belíssimo, mas uma vez falei que ele destrói. Porém, estive errado. O amor não destroi. O que destroi é a dependência, o fanatismo.
Deus bem sabe o quanto não já sofri por amor. As lágrimas sendo derramadas. As músicas de amor se tornando realidade e se tornando biografias de minha vida. Contudo, depois de tanta dor, aprendemos a minimizar cada vez mais essa dor, aprendendo com cada erro cometido. Às vezes, pensamos até em odiar o parceiro(a) que está com aquele que amamos, odiando cada célula daquele corpo. E é aí que o mal entra em nossos corações, semeando o ódio. Fazendo com  que aquelas loucuras sejam realizadas.
Tento desesperadamente lutar contra isso; peço sempre o dom de saber esperar no tempo de Deus, pois ele bem sabe quando estarei realmente pronto, mas os sentimentos falam sempre tão fortes e não sabemos esperar, nos declaramos, sofremos, lutamos. Chegamos à beira de um verdadeiro precipício, com o coração na mão e uma faca na outra.
É difícil lutar contra os instintos, mas não impossível. Não é certo tentar ser feliz, roubando a felicidade de outro. A resposta é só esperar. Esperar que a poeira abaixe; esperar que a chama do amor apague, para se ter certeza de que aquele sentimento é real; esperar que tudo se resolva, mas claro que não sozinho. Confuso este ultimo item, mas me permita explicar. Seja você mesmo, a pessoa que você ama logo irá reparar em você.
Escrevendo este texto, recordo-me das vezes que supliquei por um abraço da pessoa amada, mas não nada. Admito que fui carente de um amor por muito tempo. Amando pessoas que aparentemente eram impossíveis para mim, que não me amavam, que preferiam apenas me ter como amigo. Hoje eu não sei dizer se estou amando alguém, por mais que a pessoa fica na minha cabeça, pois eu acabo por esquecê-la em uma semana, percebendo que o que eu sentia era apenas um sentimento repentino, que não é melhor ficar mesmo apenas na amizade.
Dizem que a coisa mais triste que um homem deve encara, é o que poderia ter sido. Escolher o caminho certo nunca é fácil. É uma decisão que nós, homens, fazemos apenas com o coração nos guiando, mas às vezes nossa malícia e nossos ciúmes e a vergonha que sentimos por não sermos as pessoas que deveríamos ter sido. E é aí que achamos nosso caminho para algo melhor, ou algo melhor acha o seu caminho para nós.
Você sabe aquela visão romântica de que todo o lixo e dor é na verdade terapêutica e bonita, e até poética? Não é verdade. É apenas lixo e apenas dor. Você sabe o que é melhor? O AMOR. o dia em que você começar a achar que o amor é supervalorizado, é o dia que você estará errado. A única coisa errada sobre o amor, a fé e a crença é não tê-los.
Sabe, às vezes quando se é jovem, você acha que nada pode te machucar. É como ser invencível. Sua vida está a sua frente e você tem grandes planos. Achar seu PAR PERFEITO. Aquela(e) que te completa. Mas conforme vai envelhecendo, percebe que nem sempre é tão fácil assim. Só no fim da vida percebe que os planos que fizemos são só planos. pois no final, quando olha para trás ao invés de olhar para frente, você quer acreditar que fez o máximo com o que a vida te ofereceu. Quer acreditar que está deixando algo de bom para trás. Você quer que tudo tenha sido importante.
Há um clip da música que eu falei. Nele, conta-se o sofrimento de um casal, que mora em Berlim no ano de 2039. Lá, não serão mais permitidas as relações sexuais, seja até mesmo um beijo, em locais públicos. Os que infringirem essa lei, acaba sendo preso. Enfim, nesse vídeo, podemos acompanhar os sofrimentos desse casal diante dessa lei tão absurda. E encerro mais este texto, dizendo que realmente não vale a pena viver de sonhos e se esquecer de viver. A pessoa que vai passar o resto da vida com você vai chegar um dia, é só esperar. E aqui vai o vídeo da música que citei: UN HECHO OBVIO