A um tempo, venho querendo escrever algo sobre esta história verídica, que virou um livro e posteriormente um filme. A história se passa entre os anos de 1939 a 1945, durante a II Guerra Mundial. Ela se passa em Varsóvia, capital da Polônia, iniciando-se no momento de sua invasão pelos alemães. Há medida que a história vai passando, o protagonista, Wladislaw Szpilman narra cada atrocidade e dificuldade pela qual ele passou.
Mas primeiro, deixa eu contar um pouco sobre quem é o Wladislaw. Bem, ele era um pianista, que trabalhava na Polskie Radio, era judeu e estava tocando o "Noturno em dó menos" de Chopin no momento exato das bombas nazistas sendo jogadas na cidade. Foi um sobrevivente do Gueto de Varsóvia, que logo irei comentar e lutou contra a fome e frio durante meses, em uma desesperada tentativa de sobrevivência.
O livro, assim como o filme, mostra as humilhações pelas quais os judeus tiveram que passar, como seus bens sendo fiscalizados, sendo que teriam que ter uma quantia máxima de slotz (a moeda deles). Além disso, teriam que usar faixas brancas no braço, com uma estrela de Davi azul, medindo 8cm de ponta a ponta. Ora, que é isso?? Eles estavam agora sendo rotulados. Até onde foi parar a humanidade e sua sensibilidade? A vergonha era tamanha, que eles preferiram ficar em casa, sem trabalhar, saindo de seu refúgio da vergonha apenas quando fosse realmente necessário, como comprar comida. No filme ainda foi mostrado uma cena que não havia no livro, como a do pai idoso do protagonista, que foi forçado por um alemão a andar na sarjeta, que, segundo o "vilão", era o lugar dele.
Vendo cada cena dessa, vejo que realmente a humanidade não tem como ser salva. Não merece perdão pelos seus atos. É ridículo ter que dizer que faço parte dessa espécie, como um semelhante meu pode fazer atos tão maldosos e preconceituosos. E olha que hoje em dia, aquele que dizia que era seu amigo faz coisas até piores que os piores nazistas.
Após um tempo vivendo assim, os judeus foram obrigados a viverem num Gueto, que logo ficou conhecido como o maior Gueto da Polônia. Só para explicar, os guetos eram lugares em que os nazistas concentravam os judeus, para não se misturarem com os arianos. Lá, as condições eram piores que os nossos mais piores pesadelos. Ironicamente, a maioria da população do gueto morreu de fome, enquanto outros enriqueciam com contrabando e certo monopólio de produtos.
A sem vergonhice era tamanha, que tocando piano para essa corja em um café, Wladislaw foi obrigado a parar de tocar, só para que um ricaço podia jogar suas moedas na mesa e poder ouvir o som que elas faziam ao bater contra a superfície. Por favor né meu povo, cadê a humanidade e a solidariedade para outros que estavam suplicando algumas gotas de água, ou uns grãos de arroz, ou migalhas de pão.
Pois bem, não comentarei mais a história, deixarei que vocês assistam ao filme. Entretanto, o filme, assim como o livro, é cheio de momentos tocantes. Como o de um homem que não era judeu, mas vivia no gueto, com a intenção de ajudar as crianças mais pobres e realmente ele o conseguiu, criando-as em um orfanato. Porém, no momento em que a população do gueto ia ser evacuada e ele ia ser poupado, mas decidiu ir junto de suas crianças, por livre e espontânea vontade. O trecho do livro nessa parte é assim:
"Ele teve muita dificuldade em convencer os alemães de que desejava acompanhar-las de livre e espontânea vontade. havia passado vários anos da sua vida com elas e, agora que estavam embarcadas para o seu destino final, não queria deixa-las sozinhas.queria tornar essa viagem mais fácil para elas. explicou aos órfãos que deveriam estar contentes, pois estavam sendo levados para uma fazenda. finalmente eles iriam trocar aqueles muros tenebrosos e fedorentos opor campos cobertos de flores, por fontes de de água pura onde poderiam banhar-se, por florestas cheias de frutas silvestres e de cogumelos. mandou que se vestissem como para uma festa, e eles, cuidadosamente vestidos e radiantes, colocaram-se, em pares, no pátio do orfanato.
A pequena coluna era comandada por um homem da SS que, como todo alemão, amava as crianças- principalmente aquelas que iria despachar para o outro mundo. Gostou sobretudo de um menino de uns 12 anos – um violinista com seu violino debaixo do braço. Colocou-o na frente da coluna e mandou-o tocar.
Quando dei com eles na rua Gesia, as crianças, sorridentes, cantavam em coro, acompanhadas pelo pequeno violinista, enquanto Korczak carregava nos braços os dois mais jovens, também risinhos, e contava-lhes algo muito engraçado.
Estou convencido de que, já dentro da câmara letal, quando o gás sufocava as traquéias e o medo tomava o lugar da alegria e da esperança no coração dos órfãos, o Velho Doutor lhes sussurrava, com as suas últimas forças:
- Isto não é nada, meus filhos! Isto não é nada… – desejando poupar seus pequenos protegidos do medo da passagem da vida para a morte."
Bem tocante né? Infelizmente, o que mais me chocou é que mesmo é que é uma história VERÍDICA. Cara, que crueldade. Mas é com lágrimas nos olhos, que digo, ou melhor, escrevo que mesmo diante de tanta crueldade, a humanidade merece ser punida, mas não devem ser esquecidos, aqueles que mostraram compaixão, que deixaram o preconceito de lado e decidiram ajudar. Sejam pobres crianças ou não. O próprio autor não sobreviveria se não fosse pela ajuda de amigos arianos. Mas cara, a situação ali estava tão crítica que até os próprios judeus se entregavam, estava tudo um caos.
Ao ler, me encontrei com o personagem. Se fosse eu, não seria o que aconteceria comigo, principalmente ao me salvar e ver minha família indo para a morte. Não consigo imaginar minha família morrer. Não consigo ver tanta gente infeliz, que logo desabo. Estou já tão acostumado com dormir sossegado, de barriga cheia. Não consigo pensar que isso ocorreu e que podia ter sido comigo.
Ler sobre o Holocausto me faz pensar muito sobre a natureza humana, sobre a essência do nosso espirito e sobre a importancia das decisões e ações que tomamos. Não é apenas sobre ver a postura cruel e desumana que alguns adotaram, mas também sobre as pessoas que arriscaram suas vidas para ajudar ou simplesmente confortar outras, é sobre pensar a respeito do que os seres humanos são capazes, para o bem e para o mal. Talvez não seja o tipo de leitura que agrade a todos os públicos, mas acho que é, ainda assim, recomendável para todos.
E assim encerro o texto, dizendo que mesmo diante de nossos problemas, tem gente que passou por piores, e que atualmente, tem gente passando ainda por tais problemas. Mas voltando pro contexto da história, gostaria que todos pudessem procurar pelo menos o filme e se emocionar com a história e perceber que não é só você que tem problemas.
Wladislaw Szpilman morreu em julho de 2000, com quase 89 anos.
Na barra ao lado, deixei uma cena do filme, em que ele toca no piano.
A pequena coluna era comandada por um homem da SS que, como todo alemão, amava as crianças- principalmente aquelas que iria despachar para o outro mundo. Gostou sobretudo de um menino de uns 12 anos – um violinista com seu violino debaixo do braço. Colocou-o na frente da coluna e mandou-o tocar.
Quando dei com eles na rua Gesia, as crianças, sorridentes, cantavam em coro, acompanhadas pelo pequeno violinista, enquanto Korczak carregava nos braços os dois mais jovens, também risinhos, e contava-lhes algo muito engraçado.
Estou convencido de que, já dentro da câmara letal, quando o gás sufocava as traquéias e o medo tomava o lugar da alegria e da esperança no coração dos órfãos, o Velho Doutor lhes sussurrava, com as suas últimas forças:
- Isto não é nada, meus filhos! Isto não é nada… – desejando poupar seus pequenos protegidos do medo da passagem da vida para a morte."
Bem tocante né? Infelizmente, o que mais me chocou é que mesmo é que é uma história VERÍDICA. Cara, que crueldade. Mas é com lágrimas nos olhos, que digo, ou melhor, escrevo que mesmo diante de tanta crueldade, a humanidade merece ser punida, mas não devem ser esquecidos, aqueles que mostraram compaixão, que deixaram o preconceito de lado e decidiram ajudar. Sejam pobres crianças ou não. O próprio autor não sobreviveria se não fosse pela ajuda de amigos arianos. Mas cara, a situação ali estava tão crítica que até os próprios judeus se entregavam, estava tudo um caos.
Ao ler, me encontrei com o personagem. Se fosse eu, não seria o que aconteceria comigo, principalmente ao me salvar e ver minha família indo para a morte. Não consigo imaginar minha família morrer. Não consigo ver tanta gente infeliz, que logo desabo. Estou já tão acostumado com dormir sossegado, de barriga cheia. Não consigo pensar que isso ocorreu e que podia ter sido comigo.Ler sobre o Holocausto me faz pensar muito sobre a natureza humana, sobre a essência do nosso espirito e sobre a importancia das decisões e ações que tomamos. Não é apenas sobre ver a postura cruel e desumana que alguns adotaram, mas também sobre as pessoas que arriscaram suas vidas para ajudar ou simplesmente confortar outras, é sobre pensar a respeito do que os seres humanos são capazes, para o bem e para o mal. Talvez não seja o tipo de leitura que agrade a todos os públicos, mas acho que é, ainda assim, recomendável para todos.
E assim encerro o texto, dizendo que mesmo diante de nossos problemas, tem gente que passou por piores, e que atualmente, tem gente passando ainda por tais problemas. Mas voltando pro contexto da história, gostaria que todos pudessem procurar pelo menos o filme e se emocionar com a história e perceber que não é só você que tem problemas.
Wladislaw Szpilman morreu em julho de 2000, com quase 89 anos.
Na barra ao lado, deixei uma cena do filme, em que ele toca no piano.

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